Eram flores de Papel
Eu conheci um jardim sem flores.
As flores eram de papel
embrulhadas em caules d’água
tão frágeis que ao balançar do vento
uma a uma se desmanchava.
Eram folhas secas que lhe cobriam os galhos
quase transformadas em cinzas
que uma brisa levava.
E as flores que desenhara nos meus sonhos
se quer desabrocharam...
As mãos que as trouxeram
eram de um coração
que jamais o amor tocara.
Mas vou seguindo...
Tenho semeado meu jardim
ainda que as cinzas se alastrem
e espinhos tentem roubar meu riso
Eu sei... Há flores lindas
a minha espera doutro lado
da estrada.
Basta-me estender as mãos...
Rosas me serão presenteadas.
(Sirlei L. Passolongo)







